segunda-feira, 10 de maio de 2010

DESENVOLVIMENTO INFANTIL NA PRIMEIRA INFÂNCIA

DESENVOLVIMENTO INFANTIL NA PRIMEIRA INFÂNCIA
(0-3 ANOS)

JULIANA C. RODRIGUES
Fisioterapeuta
CREFITO 10: 35602-F


DESENVOLVIMENTO
           Continua por toda a vida. Não significa que a criança aumenta em tamanho, mas que certos elementos se modificam e se adaptam de acordo com as fases de maturação (DNA), com as experiências e com as exigências do seu ambiente.
          Até aos três anos de idade o cérebro da criança funciona como uma esponja pronta a absorver tudo o que o meio que o rodeia souber oferecer. Essa é uma característica essencial do desenvolvimento infantil: a plasticidade. Disponível para desenvolver aptidões e competências, que se não estimuladas nesta fase da sua vida, demorarão muito mais tempo e esforço por parte da criança a serem desenvolvidas.
        Temos que estimular, mas respeitando cada fase do processo de maturação. A criança não é um adulto em miniatura! O conhecimento das características do desenvolvimento pode contribuir para que o adulto entenda e aceite a criança.


Transições no desenvolvimento da pessoa


Os bebês possuem respostas automáticas e involuntárias aos estímulos externos – reflexos/reações primitivos.


Reflexo de sucção, procura e deglutição (até os 9 meses).
Reflexo de preensão palmar (3 meses) – punhos cerrados ou em ligeira flexão.
Reflexo de Moro (3 meses).
Reação positiva de apoio – Marcha reflexa (2 meses).
Reflexo tônico-cervical (3 meses).
Reflexo de Gallant (2 meses).
Controle cefálico (Reação labiríntica de retificação): a partir dos 3 a 4 meses, facilitado pelo desenvolvimento da visão.
Até 1 mês: apresenta apenas sensações visuais de luminosidade.
A partir de 2 meses: começa a fixação ocular.
Aos 3 meses consegue juntar as mãos na linha média e segura um chocalho por reflexo. Puxa roupas, cabelos, ...
Aos 4 meses retira pano do rosto, leva chocalho à boca (melhor controle da preensão).
A partir dos 5 meses já puxa-se para sentar levando a cervical. Em DV, levanta a cabeça, ombro e pernas do apoio e alcança objetos à frente – preensão voluntária + frequente, onde já pode segurar mamadeira (força de preensão muito forte nesta fase – ex. biscoito).
Brinca com os pés.
6 meses: já senta sozinho com apoio de MMSS.
7 meses: bate com os objetos na mesa, atira tudo ao chão e procura com os olhos. Inicia a engatinhar.
8 meses: utiliza dedo indicador para explorar os rostos – introduz o dedo na boca, nariz, ouvido.
8 a 10 meses: Já se ergue e fica de pé segurando-se em um apoio (ponta de pé). Deixa-se cair para sentar.
10 meses: acena com a mão. Bate palmas.
9 meses: não devolve o objeto que lhe foi dado (o ato de soltar não é voluntário antes dos 9 meses)
1 ano: entregará o objeto quando solicitado.
Alguns bebês comem sozinhos com a colher a partir dos 9 meses – a maioria: 1 ano e 3 meses.
Até 1 ano leva a maioria os objetos à boca.
Presença de sincinesias (reações associadas) ao agarrar um objeto.
Deambulação independente: início aos 9 meses (depende das reações de proteção e equilíbrio).
Reflexo de pára-quedas (proteção):
6 meses para frente.
7 a 8 meses para os lados.
10 meses para trás.


Reações de Equilíbrio:
12 meses para sentado.
14 meses para engatinhando.
18 meses para em pé.
9 meses: início da pinça.
1 ano: já segura pequenos objetos com o polegar e indicador.
3 anos: uso do polegar, indicador e médio (começo da pega da escrita, que estará totalmente desenvolvida aos 6 anos).
1 ano e 3 meses: já tem preferência por uma das mãos.
1 ano: monta 2 blocos, geralmente por imitação.
2 anos: constrói uma torre com 10 blocos.
Começa a se vestir e se despir, voluntariamente, entre 1 ano e meio e 2 anos (abotoa e desabotoa botões grandes).
1 ano e meio: reconhece partes do rosto.
2 anos: reconhece corpo.
1 ano e 9 meses: desce e sobe escadas com apoio. Agacha-se para brincar. Chuta uma bola grande. Manuseia bem o copo, mas derrama quando cheio e atira-o quando acaba. Esconde coisas e busca-as em seguida. Já começará a controlar seus esfícteres.
2 anos: sobe e desce escadas sem apoio. Passa da posição agachado para em pé sem as mãos.
2 anos e meio: usa a colher sem derramar. Diferencia 2 cores. Separa objetos grandes de pequenos. Conhece o significado de “em cima”, “em baixo”, “grande”, “pequeno”.
3 anos: Inicia o uso do garfo. Pedala bicicleta.


Expressão Gráfica
1 ano: faz rabiscos simples e fracos em todos os sentidos, sem levantar o lápis, como se fosse o prolongamento de sua mão (início das garatujas).
1 ano e meio: rabisca por imitação, não observa o desenho, necessitará de folhas grandes pois sairá das bordas (garatujas desordenadas).
Ainda não é hora de tarefas que requeiram controle motor fino de seus movimentos.
2 anos: a criança percebe que há uma ligação entre os seus movimentos e os traços que faz (garatujas controladas). Faz traços horizontais. Ficará tão fascinada com essa atividade que certamente a estenderá para paredes, móveis e piso.
3 anos: desenha seu primeiro esboço de figura humana.
Faz círculos grandes e pinta-os.
          Esses movimentos circulares e traços podem parecer sem sentido para os adultos mas têm uma importante significação real para a criança que desenha. Nessa fase, não se deve tentar descobrir alguma realidade visual nesse conjunto ou dar sua própria interpretação.


Emissão de sons
1 mês
• Durante a alimentação, a criança emite sons – como estalidos – devido à movimentação da musculatura responsável pela sucção e deglutição. Na sensação de bem estar, emite sons vocálicos: “aaa....eee” (gorgeio). Por outro lado, ao desconforto ou sensação de mal estar, pode haver emissão de choro mais diferenciado.
2 meses
• O choro é mais variado, dependendo da situação: fome, manha, dor, frio. Há diferença de ritmo para cada necessidade. A vocalização está presente nesta etapa.
3 meses
• Não apresenta nenhuma aquisição vocálica.
4 meses
• Inicia o balbucio: “pá...pá...dá...dá...”, porém sem conteúdo semântico – auto-ecolalia.
5 meses
• Balbucio.
6 meses
• O padrão de entoação varia de agudo forte a grave fraco.
7 meses
• Faz gestos e inicia imitação.
8 meses
• Imita ruídos – ex: tosse, estalidos...
10 meses
• É observada a reduplicação: emite sílabas repetidas com significado semântico – ex: “mamã, papá, nenê”. Começo da utilização da palavra-frase: mamã – quero a mamãe; dá – apontando para bola.
• Também surgem as onomatopéias: “au-au”.
• Já percebe o próprio nome, atendendo quem o chama.
1 ano
• Emite uma palavra significando uma sentença; ex: “mai” (mais), “otu” (outro).
2 anos
• Usa frases agramaticais, contendo 2 palavras - ex: “dá bola”, “calçá sapato”.
3 anos
• Utiliza as frases gramaticais: “me dá a bola”, “quero calçar o sapato”.
• DISLALIA por troca de fonemas – ex. fala “tasa” querendo dizer “casa”; “papato” – sapato.


Considerada fora do padrão normal a partir dos 3 anos.


• DISLALIA por supressão de fonemas – ex. “binquedo” querendo dizer “brinquedo”.
Considerada fora do padrão normal a partir dos 4 anos de idade.


MUITA ATENÇÃO QUANDO:

• O bebê não reage a estímulos luminosos, não ergue a cabeça para tentar ver objetos, não demonstra euforia ao ver a mãe, não diferencia pessoas estranhas;
• Os olhos não acompanham objetos de estímulo;
• O bebê tem aversão ou sente-se incomodado com a luz;
• Pisca ou coça os olhos com freqüência;
• Possui tremores oculares;
• Apresenta mancha branca na íris;
• Apresenta lacrimejamento excessivo;
• A criança esbarra em móveis ou cai com frequência;
• Queixa-se de dores de cabeça ou na região dos olhos.
• Apresenta um atraso em seu DNPM; na aquisição da fala e de outras habilidades adaptativas;
• Possui crises convulsivas;
• História gestacional ou situação familiar complicada;
• Crianças muito quietas, com queimaduras, machucados, maus tratos físicos, carência emocional.
• Prega epicântica (prega de pele no canto interno do olho);
• Estrabismo;
• Boca pequena e muitas vezes com língua protusa;
• Hipotonia ou hipertonia muscular;
• Orelhas pequenas e de implantação baixa;
• Pés curtos e planos, com espaçamento grande entre os artelhos;
• Cabeça menor e posteriormente mais achatada;
• Mãos curtas e largas.


TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO
(AUTISMO INFANTIL, SÍNDROME DE RETT, ASPERGER, X FRÁGIL)


RECÉM-NASCIDO:
• Parece diferente dos outros bebês;
• Parece não precisar da sua mãe;
• Raramente chora – bebê “comportado”;
• Torna-se rígido quando é pego no colo;
• Às vezes muito reativo e irritável.
PRIMEIRO ANO:
• Não pede nada, não nota a sua mãe;
• Sorrisos, resmungos, respostas antecipadas são ausentes ou retardadas;
• Falta de interesse por jogos, muito reativo aos sons;
• Não afetuoso;
• Não interessado por jogos sociais;
• Quando é pego no colo, é indiferente ou rígido;
• Ausência de comunicação verbal e não verbal;
• Hipo ou hiperreativo aos estímulos;
• Aversão pela alimentação sólida;
• Etapas do desenvolvimento motor irregulares.


SEGUNDO E TERCEIRO ANOS:
• Indiferente aos contatos sociais;
• Comunica-se mexendo a mão do adulto;
• O único interesse pelos brinquedos é em alinhá-los;
• Intolerância à novidade nos jogos;
• Procura estimulações sensoriais como ranger os dentes, esfregar e arranhar superfícies, fixar-se em detalhes visuais, olhar mãos em movimento ou objetos em movimentos circulares;
• Particularidades motoras: bater palmas, andar na ponta dos pés, balançar a cabeça, girar em torno de si mesmo.


Uma criança que aprende a gostar de aprender,
é uma criança que sempre quererá aprender mais e terá uma autoestima mais elevada;
será um adulto mais forte e mais feliz.


Todos os meses, todas as semanas, são importantes neste processo.


OBRIGADA!!!!
E-mail: julianacr.maio@gmail.com
cel: 8834-2280